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Crônicas 1ºAN Jornalismo 2009 USCS


O HOMEM DOS "CONHECIDOS"

Seu nome? Josué. Zé para os conhecidos. Ou seja, todos. Esta é a historia de um grande homem, tão normal e tão diferente como tudo deve ser.

Sr. Josué,  ou melhor, acho que já posso chamar de Zé, costuma dizer que já fez um pouco de tudo na vida. No começo, eu duvidava de tanta versatilidade, mas com o tempo minhas duvidas caíram por terra.

O Zé, já jogou futebol em time famoso, só desistiu da carreira porque quebrou o joelho. E afirma ainda hoje que a cirurgia deu errado por culpa do médico.

-Que fez tudo com pressa, diz ele.

        Fez parte da “Ditadura Vargas”, era militar na época. E conta com detalhes o que viu acontecer com muitos presos políticos. Ainda assim defende seu ponto de vista quanto à repressão.

-Aquela época era boa, não tinha bandidos nas ruas. Porque se aparecessem, já tinham destino certo. Porém muita gente inocente morreu de graça. Só porque o governo não gostava da cara. Nós militares não tínhamos escolha, alegou ele.

        Mas ao longo da sua vida, também houve coisas boas. Foi vizinho de um famoso cantor de pagode. Conheceu incontáveis lugares. E até os que não conheceu, sabe ensinar o caminho.

Ele diz: - Quer ir aonde? Sei... Claro que eu ensino. Vai de carro ou de ônibus?

        Teve até uma filha, com a qual não tem contato. Para ele, agora só falta escrever um livro, porque árvore ele também já plantou.

        Hoje, com a idade lá pela casa dos sessenta, Zé é famoso mesmo pelos seus sucos naturais. Também pela simpatia. Trabalha em algum lugar de São Caetano do Sul, em São Paulo. Mas sua vida é andar por esse país...

        Brinca com crianças nas ruas. Conversa com os seguranças do bairro. E tem lá os seus amores, é claro.

-Casar de novo nem pensar, saí dessa vida. Ele diz e ri.

        O que mais lhe alegra é estar com seus bichos. São eles: Bob, Shaqui e Chico, três cachorros de rua que sua patroa acolheu. Ele adotou e ama como se fossem seus.

Não deixou de sonhar:

-Ainda vou ter um sítio pra colocar essa bicharada toda. Ver o Bob correr de verdade...

Sr. Josué, como a maioria, é um brasileiro que nunca desiste. A diferença é que a esperança dele é refletida na alegria de todos, ou seja, “os conhecidos”.

Por: Sandrelly Melo



Escrito por crônicas às 20h50
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DE UM SONHO A REALIDADE

 

Sua primeira noite de prostituição foi dolorosa, como um estupro. Um homem levou-a para um quarto de uma boate, jogou-a na cama e rasgou suas roupas como se fossem panos velhos. Ela suplicou calma, mas de nada adiantava, a fúria do homem era tanta que nem os gritos o fizeram parar.’’ Cale a boca, porque estou pagando e faço de você o que eu quiser.’’ Esta frase nunca mais sauí de sua cabeça. Seu nome é Carla de Mendes dos Santos, 23 anos, mora em Salvador, BA. Todas as noites em que homens violavam seu corpo aquela cena de tortura vinha em sua cabeça e ela se sentia como um objeto sem valor e sem vida.

        Seu maior medo era morrer em serviço. Homens a maltratavam humilhavam-na. Uma vida sem explicação, dolorosa e inútil. Mas, naquela época ela não tinha muita opção. Antes chegou a trabalhar como garçonete. Ganhava R$ 15,00 por noite, o suficiente para não passar fome. Voltar para casa não queria, porque estava brigada com o pai.

        Foi então que resolveu tentar a prostituição. Em sua primeira noite conseguiu R$400,00. Ela nunca tinha visto tanto dinheiro junto. Em media faturava R$ 4 000,00 por mês. ‘’Minha vida ficou mais fácil depois que arrumei esta vida. Dinheiro nunca me faltava, programa eu fazia todas as noites. ’’ Tinha uma vida sossegada. Sentia-se realizada por não precisar de outros para mante-lá, mas ao mesmo tempo se sentia muito mal, porque para tudo aquilo precisava vender seu corpo. ‘’O pior de tudo é que hoje vejo milhares de mulheres vendendo o corpo por nada, muitas vezes por miséria. ’’ Algumas vezes os clientes pagavam a ela só para olhar eles se drogarem, em outras tinha que seguras bandejas de cocaína para suas colegas. ‘’Nunca me senti bem nestas horas, tinha que ficar me escondendo da policia. Hoje estas situações são explicitas e ninguém toma providencia, como a Cracolândia, uma tristeza. ’’ Ela nunca se drogou ou pensou em algo assim.

        ‘’Com muito esforço sai desta vida, graças a um homem chamado Marcelo dos Santos, meu marida. ’’ Conheceu Marcelo em uma boate, e a partir de então sua vida mudou.

        Carla e Marcelo tiveram 2 filhos. Ela voltou a estudar e fez um curso de telemarketing. Afirma que nunca mais quer passar por aquela vida, nunca quer deixar seus filhos viverem o que ela viveu. ‘’Marcelo realizou meu maior sonho que era ter família e sair daquela vida. Hoje, vejo que a vida fácil que levava de dinheiro na mão era só ilusão. ’’ Com seu pai, tudo se acertou no momento em que largou a prostituição.

        Ela percebeu como é fácil ser feliz sem precisar vender o corpo. Ser feliz basta ter família. Acordar cedo, levar e busca os filhos na escola, fazer almoço, arrumar a casa, brincar como os filhos, ajudar no dever e ficar com o marido, ‘’ Bastava acreditar nos sonhos, e nunca deixar o dinheiro tomar conta da sua vida, acreditei e hoje estou aqui contando e torcendo por mulheres que passam por tudo que passei acreditei nos sonhos e larguem a prostituição e drogas. ’’

 

Por: Ana Beatriz Tocchio

 



Escrito por crônicas às 17h48
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VÍCIO, PRA QUE TE QUERO?

Começou com o vício da bebida na adolescência.No começo,bebia por pura diversão, depois o álcool virou uma necessidade quase que básica.Ele precisava beber para sentir-se satisfeito.Numa família de três filhos e uma filha, os três homens eram viciados no álcool.Bebiam para ir a escola, depois dormiam durante as aulas.

Felizmente, dois homens da família, o mais velho, Vanderlei de Lima Oliveira de 46 anos, e o filho do meio, Valdir de Lima Oliveira, de 43, resolveram tomar rumos diferentes na vida e, com muito sacrifício, largaram o vício.É muito difícil desprender-se da bebida, como qualquer outro vício que as pessoas têm, mas com muito esforço e força de vontade eles saíram vitoriosos.Infelizmente, esse não foi o pensamento de Walter de Lima Oliveira, o caçula de 40 anos, que optou por continuar com o vício.

Mesmo sendo um alcoólatra, Walter casou-se e teve dois filhos.A vida começou a ficar complicada, pois aos poucos ele foi perdendo tudo que havia construído durante a vida.

Perdeu o emprego, com bom salário e, com isso, a casa teve que ser sustentada com muito sacrifício pela esposa Tânia Silva de Lima.Os filhos Fábio e Fernando de Lima Oliveira, cresceram com a ausência da figura paterna, praticamente foram criados pelos avós, mas nem por isso deixaram de ser homens dignos e trabalhadores.

A família tentou interná-lo várias vezes, mas todas as tentativas foram sem sucesso. Afinal só consegue ajuda quem quer ser ajudado.

Há 6 anos perdeu o pai, que foi atropelado na rua de casa.Todos acharam que ele pararia de beber, pois o pai foi uma figura muito importante na vida dele e dos irmãos.Isso não foi o suficiente, porque ele largou o vício por alguns dias, mas voltou a beber, talvez até mais, para esquecer a dor da saudade.

Anos e anos se passaram, e Walter foi deixando o álcool consumir a sua vida.Mas,como uma mãe nunca desiste de um filho, assim é sua mãe Alexandrina Francisca.Mulher batalhadora, de muita fé, nunca perdeu as esperanças.Sempre acreditou que seu filho, um dia seria motivo de orgulho e não mais de vergonha.Pois essa mãe apostou certo, e viu seu filho alcoólatra largar as bebidas antes de morrer de desgosto.Há quase três meses, Walter não põe uma gota de álcool na boca e, pra orgulho maior dessa família, arrumou um emprego.Parou de beber porque a família começou a desistir dele, sentiam-se envergonhado, e além disso os problemas de saúde começaram a preocupá-lo,então ele decidiu que era a hora de parar.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o apoio da família é primordial para pessoas que têm qualquer tipo de dependência, seja ela álcool ou outro tipo de droga.Talvez, se em algum momento, a família tivesse deixado ele de lado, o vício continuaria em sua vida, por muitos anos ou até mesmo até o fim da vida.

Mas, como ele mesmo diz, a vida é dura para quem é mole e nunca é tarde para nada, absolutamente nada.Para sua mãe, a fé move montanhas e moveu mesmo.Hoje, para ele, vícios são apenas desperdícios de vida, e sua vida ele pretende não desperdiçar mais.

 

Por: Fabíola Barros



Escrito por crônicas às 18h34
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MAIS UM, EM MEIO A TANTOS!

Nossos olhos estão acostumados e cansados de ver, em meio aos variados meios de comunicação e até mesmo nas ruas, usuários de drogas. Infelizmente, essa é uma realidade que já faz parte do nosso dia-a-dia.

É tão comum que um dia, conversando com um rapaz na internet, ele revelou-me que era usuário de droga. Absurdo?Sim, absurdo. O modo como as pessoas se abrem conosco sem ao menos nos conhecer, ainda mais sobre um assunto tão sério e ao mesmo tempo íntimo. Pedro Henrique Vieira, 22 anos de idade, começou a usar cocaína, aos 16 anos, por curiosidade e influência de amigos, iniciou-se na droga para experimentar, mas logo tornou-se dependente.

A cocaína oferecia-lhe todos os prazeres que a vida não proporcionava, mas, com o tempo, vieram as consequências: cansaço, insônia, perda de peso, depressão, irritabilidade e uma série de transtornos comportamentais e físicos. Brigava muito dentro de casa, mas nunca agrediu ninguém. Apesar de seu comportamento ter mudado a família nunca o deixou de lado, tentaram interná-lo duas vezes, mas não obtiveram sucesso. O apoio dos familiares é primordial para o usuário de drogas, pois deste modo, o viciado tem mais chances e motivações para interromper o uso da droga. Pedro passou por muitas dificuldades quando era usuário de cocaína, vendia seus pertences para sustentar o vício e, algumas vezes, passava dois dias cheirando dentro da favela, até que aos vinte e um anos, durante o carnaval, depois de uma briga, um de seus amigos abriu-lhe os olhos e ele decidiu interromper o uso da droga. Parou de usar cocaína, mas tornou-se usuário de maconha.

Hoje, um ano depois, Pedro fuma maconha, mas diz não ser viciado, e isso é uma das características do viciado em drogas: negar a dependência. Um dos tios, que era traficante, foi morto por policiais e, mesmo sabendo dos riscos, ele sobe nos morros para comprar maconha, e várias vezes tem que correr ou se esconder da polícia nas favelas. Mesmo ciente dos riscos que corre e de que está financiando o crime, o vício é muito complicado. Pedro se arrepende de ter entrado nessa vida e não deseja isso para ninguém, mas é a favor da legalização da maconha no Brasil, pois acha que acabaria com o poder dos traficantes, e os usuários deixariam de correr riscos, tendo que ir buscar droga dos morros. Ao contrário do que penso, ele acha que a maconha não faz mal, mas assim como o álcool que também é uma droga e deveria ser proibido, a liberação da maconha poderia trazer consequências para a sociedade e para os próprios dependentes químicos.

Os usuários de drogas sabem que trazem sofrimento para a família, que as pessoas se afastam deles e que, além dessas, existem muitas outras consequências, mas porque se submetem a tudo isso?Será que tentam escapar da realidade?Tentam suprir alguma necessidade?Essas são perguntas difíceis de serem respondidas,assim como também é difícil definir quem é o culpado por isso,e muitas vezes a polícia, que deveria intervir nesses casos, tira proveito dos viciados, chantageando-os e arrancando dinheiro para não os levarem presos. Isso é muito comum de acontecer, e Pedro disse ter ocorrido com ele, um dia, ao descer da favela.

Enfim, é difícil entender e não nos cabe julgar essas pessoas, o que nos resta é pensar em formas de ajudar e acabar com essa realidade que, mesmo sendo tão comum, ainda assusta a sociedade.

 

Por: Fabiana Barros



Escrito por crônicas às 18h31
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LUZ, CÂMERA, AÇÃO!

O programa é ao vivo e sem cortes. Todas as sextas-feiras, a equipe muda de mala, cuia e câmeras para um ponto diferente da cidade. Som, iluminação, plateia, cenário, câmeras. Tudo deve estar pronto para ser exibido às 18h. E quando a VJ Penélope Nova entra no set, o telespectador vai ao delírio. Está no ar o ”MTV na Rua”.

     Sucesso entre os adolescentes, a atração é uma das maiores audiências da emissora musical. A apresentadora, conhecida por suas tatuagens, já está mais do que acostumada com o assédio dos fãs. A cada vez que Penélope apresenta o programa, os jovens ficam à sua espera para conseguir tirar uma foto ou receber um autógrafo. E entre os que assistem a MTV de casa, a admiração pela VJ e pelo programa também é intensa.

     Mas, pouca gente sabe que colocar uma atração desse porte no ar não é tarefa para qualquer um. Vendo a apresentação em tempo real fica difícil imaginar o esforço e o trabalho feito pela produção. A equipe chega ao local do programa no início da tarde para testar equipamentos e montar o set. Só isso já torna o pessoal da produção e assistência técnica tão importantes quanto a apresentadora.

     Josemar Ataíde de Abreu, mais conhecido como “Zema”, é uma dessas pessoas que, apesar de sua importância, passa imperceptível aos olhos do público. O câmera do “MTV na Rua” geralmente sai de casa depois do almoço e segue direto para o prédio da MTV Brasil, na zona oeste de São Paulo. De lá, pega seu equipamento e segue de van para o local do programa. Zona Norte, Sul, Leste, Oeste, Guarulhos, Osasco, ABC. Zema é um dos primeiros a chegar no local e já começa a testar sua câmera e a iluminação do ambiente. Mesmo durante o expediente, sempre há tempo para um momento de descontração. Zema e seus colegas de equipe ficam no bate papo, observando o movimento da cidade e esperando o momento de entrar em ação. Pelo tempo de convivência, já se formou um ciclo de amizade entre os câmeras, carregadores de cabos e demais funcionários. Um desses é o câmera conhecido como “Estopa”, que já se tornou um dos melhores amigos de Zema.

 “O lado bom de trabalhar na MTV é que aqui, as pessoas são mais descoladas e tendem a ter uma mente mais aberta para novas experiências”, conta.

     Aos poucos, os adolescentes que passam pela rua vão se juntando para formar a plateia. Alguns chegam puxando assunto, perguntando sobre as curiosidades do programa, como fazer para participar dos quadros e por aí vai. Por ser um homem bonito e estiloso, algumas meninas ficam encantadas com o “câmera-man”. Não é à toa que Zema é conhecido entre o pessoal da produção como o Câmera Galã da MTV. Certa vez, numa praça do Alto de Pinheiros, uma garota lhe lançou umas cantadas e pediu um autógrafo no sutiã, relembra Zema, dando risada. Numa outra ocasião, mais uma fã expressou sua admiração por ele ao enviar um recado no mural do programa, mandando-lhe um beijo. “Quando a Penélope leu, fiquei vermelho de vergonha”, conta ele. “Mas também é muito divertido receber o carinho das pessoas”, acrescenta. Mesmo assim, são raros os momentos de assédio, afinal, o centro das atenções é todo voltado para a Penélope. Zema não reclama, muito pelo contrário, acha ótimo, pois para ele, trabalhar atrás das câmeras já o deixa muito feliz.

     Ao se aproximar do horário de exibição do “MTV na Rua”, Zema e todos os outros funcionários se colocam em suas posições. O programa começa e a concentração é toda voltada para captar as melhores imagens da apresentadora e da plateia. Zema e os outros câmeras são orientados pela direção a andar pelo set, sempre acompanhando os movimentos e os passos da Penélope. Para isso, é preciso tomar muito cuidado para não se esbarrar nos equipamentos de iluminação e nas pessoas. Nessas horas, o cabo-man é vital para auxiliar os câmeras. Sete horas da noite, a Penélope se despede da plateia e do telespectador e as câmeras são desligadas. Termina mais uma edição do “MTV na Rua”. Zema, os colegas da produção e a VJ entram na van e voltam para o prédio da emissora. Durante o caminho, eles vão conversando sobre os melhores momentos do programa e os lances mais engraçados. “A Penélope é muito simpática, espontânea e sabe bem como puxar um bom papo”, conta Zema.

     Antes de voltar para casa, Zema e os colegas passam pela padaria “Real”, que fica ao lado da MTV Brasil. Lá, eles se divertem e descontraem após um longo e cansativo dia de trabalho. Mas nem todo dia o expediente termina aí. Zema também trabalha no programa “Furo MTV”, apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro e no “Scrap MTV”, atração comandada por Marimoon. “No Scrap eu só vou às quintas – feiras, quando é exibido ao vivo e, no Furo MTV, só às segundas e quartas. Nos outros dias, vão outros câmeras, a gente meio que reveza” diz ele. “Cheguei na MTV em março de 2008, para trabalhar apenas no “MTV na Rua”, mas com o passar do tempo, me pediram para ajudar no “Furo” e no “Scrap”. Me ofereceram um salário maior e aí eu aceitei. Para eu planejar meu futuro isso está sendo muito bom”, acrescenta.

O futuro no qual Zema se refere diz respeito a casar e constituir família. Morando atualmente com os pais num bairro da zona norte de São Paulo, o câmera está à procura de uma parceira. Com todo seu charme, isso é apenas questão de tempo. Enquanto isso, Zema trabalha para entreter os adolescentes de todo o Brasil.

Para os que assistem os programas pela TV, a sensação é de satisfação. Para os que ajudam a colocá-los no ar, a sensação é de dever cumprido.

 

Por: Caio Lima



Escrito por crônicas às 18h07
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BOM DIA, SR. JOSÉ!

       Quase ninguém o vê. O que geralmente se escuta é a sua voz tímida nos interfones do Edifício Victória. E não é pelo fato de a voz ser tímida que ele fica escondido. Isso acontece pela pressa dos condôminos para sair ao trabalho, pela ignorância de uns em sequer falar bom dia, e por trabalhar em uma sala minúscula, fechada com uma porta de madeira, por dentro do residencial, e um vidro escuro por fora. Mas, nem por isso, José Menezes se deixa passar por invisível. Se as pupilas cansadas de muitos moradores não o enxergam, saiba que essa invisibilidade só ocorre no Edifício Victória. Ele estuda Teologia. Sim, Sr. José, como é conhecido, estuda para ser pastor numa igreja em Mauá (SP). Lá, diariamente 50 pessoas realmente o veem e o escutam de verdade.

        - Trabalho no condomínio de dia e à noite estudo. Também dou aulas aos domingos sobre religião. Sempre quis ter conhecimento para ensinar aos outros.

        Seus olhos brilham. Como poucos no prédio veem. E esses olhos irradiantes adoram ler. Ler não só livros de religião, mas também romances, especificamente os de Sidney Sheldon. Os ouvidos, calejados de escutar apenas nomes de pessoas e números de apartamentos, gostam de música. Mas música boa, que traz alguma mensagem, como ele mesmo diz. Gosta muito de Belchior, diz que traduz sua vida atual. O importante para o José é sentir cada nota que é tocada. Claro, José também toca instrumentos musicais. Encanta-se com as oitavas do teclado, com as casas do violão e com o ritmo do pandeiro.

        - É impossível passar um dia inteiro sem música...

        Mas o que Sr. José nunca esquece é de dar valor as coisas simples da vida. É contra os seres que deixam a vida passar por eles. Seres que se sacrificam com horas de trabalho nas empresas, onde são apenas números, e esquecem da família, para a qual o sentimento fala mais alto que qualquer outra razão. Por isso, José gosta de ir ao parque e de passar o tempo com a esposa nos fins de semana. A mesma esposa com quem, quinze anos atrás, se casou apaixonadamente. O amor surgiu no Ceará, onde ela e ele nasceram, mas só se tornou sentimento profundo em São Paulo. Ao falar da esposa, o sorriso do José brilha como os olhos. Brilha de paixão.

        O sonho do José é viver do que realmente gosta. É viver da religião. Ele diz, muito emocionado, que quer seguir com os projetos da igreja, continuar ensinando pessoas. Pretende trabalhar apenas com isso quando acabar de estudar Teologia. Mas parar de estudar, ah!, isso nunca passa pela cabeça do José. Para ele a informação é tudo.

        - Em todo lugar existe aprendizado, é a base para viver.

        O interfone toca. É um morador querendo saber se sua entrega já havia chegado. Eu me despeço, e ele, com muita gentileza, continua seu trabalho. Aprendi muito com o conhecimento de Sr. José. Pena que quase ninguém o vê.

 

Por: Bruna Serafim



Escrito por crônicas às 21h57
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DORINHA, A VIDA NÃO É VAZIA

A vida parece vazia, mas não é bem assim que as coisas funcionam para Maria das Dores da Conceição de 50 anos, a famosa Dorinha. O dia-a-dia agitado de tanto limpar, passar e fazer comida se faz necessário para sobreviver. Apesar do esforço que faz, encontra motivos para sorrir ao ter amigos por perto.

O vazio por morar sozinha atualmente, vem do passado, já que não considera ter tido infância. Desde pequena trabalhou na roça e no plantio, e isso a fez pular uma fase da vida. Apesar de sentir o silêncio de não morar com ninguém, não reclama, pois afirma que nenhum homem presta, sendo assim optou por não casar. Na escola encontrou o seu primeiro amor, chegou a namorar um tempo com ele, mas após um tempo terminaram o relacionamento porque ele a fez perder algumas amizades por causa do ciúme. A inocência era tanta que nem sabia o significado de ex-namorado. Era uma aluna meio desinteressada e teve algumas dificuldades para conseguir terminar os estudos.

A dor que nunca some é pela perda da mãe, coisa que ela nunca esperava que fosse acontecer. Acabou saindo de sua cidade natal, a pequena Lagoinha, no Piauí, e veio para São Paulo, para não guardar más lembranças desse fato que afetou para sempre sua vida. Aqui com apenas 19 anos trabalhou como babá para se sustentar e hoje em dia, trabalha como doméstica numa casa de família. Ela se sente como se estivesse em sua casa porque é muito bem tratada.

Apesar das dificuldades, Dorinha se apega em objetos para passar os dias. Guarda por mais de 30 anos um anel que ganhou de um ex-namorado... Na verdade eram dois, mas acabou perdendo um. Também tem uma boneca que ganhou numa feira de artesanato. A boneca quebrou, mas até hoje ela tem os remendos. Para ela isso tem um valor sentimental muito grande.

Família é a coisa mais importante na sua vida, sem eles não viveria. Atualmente, mora sozinha, mas sempre que possível dorme na casa de parentes. Principalmente após ter tido sua casa assaltada, já que ficou com muito medo de voltar lá. Não teve filhos, porque nunca encontrou um homem que pudesse ser o pai ideal. Porém, agradece, já que odiaria ver um filho partindo para o caminho errado.

Seu maior sonho é comprar uma casa para não ter que continuar pagando aluguel, garantir sua aposentadoria para viver dignamente sem precisar da ajuda das pessoas e viver viajando. Morre de medo de avião, por isso só anda de ônibus, e gosta de ir para o nordeste, lugar onde nasceu e viveu até a adolescência.

Seu passatempo favorito é ouvir música sertaneja de qualidade, sempre que possível está ouvindo, na maioria das vezes quando está trabalhando. Outra coisa que ama fazer é ir para bailes e dançar. Costuma ir com suas vizinhas que são suas únicas amigas, já que não se relaciona com muitas pessoas por questão de insegurança. De forma alguma vive sem sua televisão. A primeira coisa que faz quando chega em casa é ligar o aparelho e fica assistindo até dormir. Ela considera a sua televisão a única coisa que tem para driblar as noites de solidão.

Mesmo com todos os problemas, Dorinha sorri para a vida e agradece a Deus por estar viva e poder lutar pelos seus objetivos, e ela se orgulha em dizer que “mesmo morando sozinha, minha vida não é vazia”.

 

Por: Leandro Fernandes



Escrito por crônicas às 21h20
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DANÇANDO NO RITMO DA VIDA

Pouca idade e muita história. Assim é Anderson Caliu, um jovem de apenas 19 anos, professor de dança e sem preocupações com o julgamento do mundo.

        Descobriu a dança para ocupar o tempo e se distrair da realidade. Fez balé, sapateado e, mais tarde, street dance.

        Da ausência da mãe na infância ao abandono do pai, o que recorda com mais alegria são as brincadeiras com o carrinho de rolimã. Criado pela irmã, aos nove anos já era independente.

        A adolescência foi uma fase bastante divertida, corrida e com muitas descobertas. Aos 14 anos começou a enfrentar constantes dúvidas que só seriam respondidas aos 16. Foi nessa fase que surgiu a atração por pessoas do mesmo sexo e, também, a aproximação com a mãe. “Minha mãe descobriu que eu era gay através de uma amiga e eu achei que ela não fosse aceitar, mas ela me apoiou e disse que estaria comigo sempre, pois filho é filho não importa a sexualidade”.

        Em março de 2006, na formatura da oitava série, conheceu Cayo, seu primeiro namorado. Os amigos da escola se afastaram e ele parou de freqüentar as aulas. Mas, quem precisa de colegas quando se tem o apoio da mãe? “Quando todo mundo parou de falar comigo eu me sentia um lixo, mas é nessa hora que a gente vê quem é amigo de verdade”, conta com certa melancolia na voz.

        Da conturbada relação com Cayo guarda apenas as cartas e bilhetes que ganhou, o resto fez questão de esquecer e seguir em frente. A homossexualidade nunca o atrapalhou em nada, nem na profissão. Ele já foi caixa de loja, gerente e há três anos é professor de hip hop.

        De um sonho com o ex-namorado surgiu “Letícia Guimarães”, o lado mulher de meu entrevistado. Letícia é Miss Gay 2008 e já fez shows noturnos em uma boate GLS de Santo André. Anderson ressalta que “as drag queens tentam ser melhores que as outras, mas são todas iguais. Todas querem ser mulher, mas na verdade ninguém é”. Foi em meio a esta experiência que conheceu Gabriel, seu atual namorado, e parou de fazer shows drags, segundo ele porque “o Gabriel queria um homem do lado dele e não uma mulher. Se ele quisesse uma mulher seria hetero”.

        Da infância aprendeu algo que sempre terá com ele: estar presente na vida dos filhos, independentemente do que aconteça. Como ele mesmo diz “vou mimar meus filhos até não poder mais”. Aprendeu também, desde cedo, a lidar com as dificuldades da vida e, mais importante que isso, a contornar e vencer os obstáculos que ela nos impõe.

        Hoje, Anderson está bem, feliz e com muitos planos para o futuro. “Ano que vem volto a estudar e depois quero fazer faculdade de publicidade”. Noivo, ele pretende construir uma família e até já tem nome para os bebês. “Se for menino vai se chamar André e se for menina, Ana Carolina”.

        As famílias são unidas e os apóiam bastante. Com relação ao preconceito, Anderson diz que no começo é complicado, mas, depois, quando você realmente sabe o que quer e se assume para todos, aprende a lidar com isso. Para ele, a sociedade precisa perceber que todos são iguais e a única coisa que os difere é a opção sexual que têm. “Os homossexuais não deveriam se adaptar ao mundo e sim o mundo a eles”.

 

Por: Danielle Schiavo



Escrito por crônicas às 21h14
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ALGUÉM QUE NÃO CANSA

No dia 12 de junho de 1954 nasceu na cidade de São Vicente (SP) uma menina, que veio ao mundo para lutar e, por lutar, vencer. Ser feliz e, por ser feliz, passar por muitas dificuldades e tristezas.

Neide Vieira nasceu na cidade praiana, filha de uma dona de casa e um boiadeiro da prefeitura, é a mais nova de dois filhos. Quando criança era o xodó do pai, via nele seu grande ídolo e foi justamente nessa face que teve seu maior trauma, quando viu o pai morrer devido a um coice de cavalo. Até hoje, quando conta essa história às lagrimas vem aos olhos.

Aos 22 anos foi morar na casa do tio, para ficar mais perto do açougue dele, onde começou a trabalhar. Foi lá que engravidou do primo.

Uma moça solteira, grávida de um parente, o que era visto como um erro, que ainda não tinha assimilado a perda do pai e o viu ser “substituído” pelo novo marido da mãe, mãe essa que não a apoiou na gestação. Esse foi o segundo dilema de sua vida.

Em 26 de agosto de 1946 nasceu Neiva, sua filha, que foi criada pela tia, já que a gravidez nunca foi bem aceita, nem por ela mesma.

Neide sempre foi vista como uma guerreira, porque nunca tinha medo de encarar a vida. Profissões vistas como masculinas jamais foram obstáculos para essa mulher, que as encarou e encara com muita naturalidade. É pedreira, conserta sofá, pinta, costura, cuida da casa e monta quebra cabeças nas horas vagas também, uma postura típica da mulher do século XXI.

Estudar também sempre a motivou. Quando jovem andava quilômetros para chegar à escola. Hoje, ainda estuda, para quem sabe um dia realizar o grande sonho de ir para os Estados Unidos. Para passear, também, mas o objetivo principal é trabalhar por lá, afinal ela nunca para.

Atualmente, com 55 anos, reside na cidade de Ribeirão Pires, no Grande ABC, com a mãe e o padrasto. Mora lá há mais ou menos cinco anos, quando foi para pintar a casa de um conhecido de São Vicente. Os netos, o irmão e os sobrinhos a visitam com frequência. Com a filha mantém uma boa relação, mesmo, talvez, tendo sido essa a sua maior decepção na vida: nunca ter sido mãe de verdade.

Neide não gosta muito de planejar a vida, espera as coisas acontecerem. Evangélica, acredita que Deus irá lhe mostrar o melhor caminho a seguir.

Conquistou muitas amizades sinceras no novo lar, é amiga de todos na rua onde mora. Sempre que lhe sobra um tempinho viaja com o pessoal da igreja para realizar cultos e se dedica bastante a religião. Porém, falsos amigos também apareceram em sua vida, e com esses Neide não fez questão nenhuma de manter algum contato.

Uma mulher simples, que vive sua vida, amiga com quem todos podem contar a qualquer hora do dia ou da noite. Uma criança grande, que está sempre com o sorriso no rosto, preferindo hoje rir a chorar pelos problemas da vida, que sonha, entretanto não tira os pés do chão.

 

Por: Jessica Abbade

 



Escrito por crônicas às 21h00
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O HOMEM DOS CADERNOS

Um senhor comum, que, mesmo aposentado, ainda tem que trabalhar. Carismático com seus clientes, um homem fascinante e com uma história de vida que atrai a todos. Uma pessoa interessada por causas sociais. Seus maiores hobbys são praticados através da escrita, da leitura constante e de filmes que aprecia, como E o vento levou.

Nordestino, natural da cidade de Altinho, no estado de Pernambuco, Seu Hermes Severiano, um poeta nato, tem 58 anos. Atualmente, mora na cidade de São Paulo, é casado e tem um filho. Este homem já escreveu mais de quarenta cadernos manuscritos, com poemas geralmente falando sobre sua terra natal. Nem por isso esqueceu uma de suas primeiras poesias, “Barcelona”.

Seu talento chamou atenção de algumas pessoas, entre elas um pastor que gostou muito de um texto seu que falava sobre a natureza. Hoje, seu Hermes tem intenção de passar todos os textos para o computador, pois com o tempo perdeu muitos cadernos. Com relação à divulgação dos textos ele afirma “Quem sabe um dia eu consigo publicar”.

 Seu Hermes lembra com alegria a infância, mesmo não tendo energia elétrica onde vivia, “Era uma cidade muito precária, muito atrasada”, conta o pernambucano, que brincava principalmente com animais. Aos 17 anos veio obrigado para São Paulo, a fim de trabalhar. “Sofri demais quando vim pra cá”, conta Seu Hermes. Como a tristeza de ser mandado embora de sua terra natal pelos  parentes era grande, ficou dez anos e quatro meses sem voltar ao Nordeste.

Seu desprazer em morar na cidade grande deu lugar aos vícios (bebida e cigarro), que conseguiu depois de algum tempo largar. Trabalhou como despachante de mercadorias de caminhão, viajou por Rio de Janeiro, Minas Gerais e todo o estado de São Paulo a serviço.

Sonha em continuar vivendo para que possa continuar sonhando, pois o sonho é a energia que move a vida, quem deixa de sonhar, deixa de viver.

Por: Gabrielle Maximo



Escrito por crônicas às 20h44
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Escrito por crônicas às 01h10
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